
"Marchamos porque desde muito novas somos ensinadas a sentir culpa e vergonha pela expressão de nossa sexualidade e a temer que homens invadam nossos corpos sem o nosso consentimento; marchamos porque muitas de nós somos responsabilizadas pela possibilidade de sermos estupradas, quando são os homens que deveriam ser ensinados a não estuprar; marchamos porque mulheres lésbicas de vários países sofrem o chamado “estupro corretivo” por parte de homens que se acham no direito de puni-las para corrigir o que consideram um desvio sexual; marchamos porque ontem um pai abusou sexualmente de uma filha, porque hoje um marido violentou a esposa e, nesse momento, várias mulheres e meninas estão tendo seus corpos invadidos por homens aos quais elas não deram permissão para fazê-lo, e todas choramos porque sentimos que não podemos fazer nada por nossas irmãs agredidas e mortas diariamente. Mas podemos."

É errado a sociedade dizer "mulher, cuidado para não ser estuprada" em vez de "homem, não estupre", mas ouvimos isso toda hora. Acho legal tb lembrar do caso da Elisa Samudio. A mídia tentava justificar o ato com informações de que ela era uma garota de programa, que adorava sair com vários jogadores, que fazia flimes pornôs e talz... Como se isso diminuísse o fato dela ter sido morta daquela maneira... O lance é não culpar/responsabilizar a mulher pelos atos de covardia que ela sofre da sociedade machista.
Exatamente para combater essa cultura que responsabiliza a vítima feminina pela agressão surgiu esse protesto pelo direito das mulheres de se vestir, andar e agir de forma livre. Sim, vamos continuar nos vestindo do jeito que quisermos. Sempre!!! E isso não é um convite ao estupro!
Historicamente o termo “vadia” carrega uma conotação extremamente negativa, cujo peso recai inteiramente sobre as mulheres, sendo uma séria acusação sobre seu caráter. A intenção por trás da palavra é sempre ferir. O objetivo da marcha é ressignificar o termo “slut”, apropriando-se e mostrando que numa sociedade machista todas somos vadias e vagabundas:
"Marchamos para dizer que não aceitaremos palavras e ações utilizadas para nos agredir enquanto mulheres. Se, na nossa sociedade machista, algumas são consideradas vadias, TODAS NÓS SOMOS VADIAS. E somos todas santas, e somos todas fortes, e somos todas livres! Somos livres de rótulos, de estereótipos e de qualquer tentativa de opressão masculina à nossa vida, à nossa sexualidade e aos nossos corpos. Estar no comando de nossa vida sexual não significa que estamos nos abrindo para uma expectativa de violência, e por isso somos solidárias a todas as mulheres estupradas em qualquer circunstância, porque foram agredidas e humilhadas, tiveram sua dignidade destroçada e muitas vezes foram culpadas por isso. O direito a uma vida livre de violência é um dos direitos mais básicos de toda mulher, e é pela garantia desse direito fundamental que marchamos hoje e marcharemos até que todas sejamos livres".
Portanto, o termo vadia pode ser usado de uma maneira que foge da proposta, com ar pejorativo e/ ou depreciativo, mas a intenção é mostrar que as mulheres são livres para terem o comportamento que quiserem. Poderiam chamar de Marcha das Mulheres Livres, mas não teria tanto impacto na mídia. É a expressão VADIA que choca e chama atenção da sociedade.
Pense nisso!
Quer saber mais??? Acesse:
Território Coletivo
Marcha das Vadias - DF
Centro de Mídia Independente
OBS: Todas as fotos que ilustram esse post foram retiradas de sites na internet.
2 comentários:
Muito bom! Sabia que vc ia gostar da causa! Que isso abra os olhos das pessoas que têm esse comportamento preconceituoso, mesmo "sem querer". E principalmente, que escancare de uma vez por todas o machismo imbecil que domina nossa cultura!
Ana, só os grandes conseguem se preocupar com a maioria.
Tratar do machismo numa sociedade masculina é correr riscos. Sempre há preconceito maior acima do preconceito, vão nos chamar de devassas, de radiciais, de pouco femininas, de barraqueiras, de desviadas, ... e uma porção de besteiras. Como se isso fosse importante.
O que importa na verdade é que nada cale a nossa voz, e que com a ação política e social, as mulheres consigam evoluir modos de pensar e agir e quebrar modelos cristalizados de conduta.
Faz muito tempo que a sociedade evoluiu e que deixamos de ser própriedade de pais, maridos, homens. Dominío cabe a cada ser por si mesmo, somos livres!
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