sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Ano Novo, Vida Nova???




Bem... se alguém ainda passar por aqui poderá ficar surpreso com este post repentino, pois a verdade é que meu blog está entregue as moscas faz tempo, né?!
Eu tenho me dedicado a outras coisas, me distraindo com o twitter e ficado menos tempo na internet (ok, confesso que ainda passo mais tempo do que deveria, hehe!), mas hoje ao ver essa imagem me bateu uma nostalgia e uma saudade tão grande deste espacinho aqui que acabei criando esse pequeno post só para desabafar.



De ontem em diante
O Teatro Mágico
Composição: Fernando Anitelli

"De ontem em diante serei o que sou no instante agora
Onde ontem, hoje e amanhã são a mesma coisa
Sem a idéia ilusória de que o dia, a noite e a madrugada
são coisas distintas
Separadas pelo canto de um galo velho
Eu apóstolo contigo que não sabes do evangelho
Do versículo e da profecia
Quem surgiu primeiro? o antes, o outrora, a noite ou o dia?
Minha vida inteira é meu dia inteiro
Meus dilúvios imaginários ainda faço no chuveiro!
Minha mochila de lanches?
É minha marmita requentada em banho Maria!
Minha mamadeira de leite em pó
É cerveja gelada na padaria
Meu banho no tanque?
É lavar carro com mangueira
E se antes, um pedaço de maçã
Hoje quero a fruta inteira
E da fruta tiro a polpa... da puta tiro a roupa
Da luta não me retiro
Me atiro do alto e que me atirem no peito
Da luta não me retiro...
Todo dia de manhã é nostalgia das besteiras que fizemos ontem."



E já que esta é a minha primeira postagem de 2010, farei aquela breve reflexão - de praxe - sobre minhas resoluções para o ano que se inicia.

Enfim... Ano Novo, Vida Nova???
Hum, hoje é dia 16 de janeiro e eu realmente não sei se apenas o fato de trocar o calendário trará mudanças muito significativas nos meus dias, então ao invés do clássico clichê ano-novo-vida-nova prefiro afirmar que to a fim de deixar chegar o que vem e deixar ir o que se vai, porque como dizia minha avó "é pra frente que se anda!" e quem dá uma de caranguejo acaba tropeçando, correndo o risco de perder toda a paisagem.

Portanto, quero curtir 2010 como esse bebê da foto, agarrando as oportunidades que surgirem e saboreando o que a vida tiver de melhor para me proporcionar!

(Tá, acabei sendo clichê.)

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

A Todas as Mulheres Negras, de todos os Homens Negros

Eldridge Cleaver, em Alma no Exílio
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Rainha-Mãe-Filha da África
Irmã de minha alma
Noiva Negra da Minha Paixão
Meu Amor Eterno
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Eu te saúdo, minha Rainha, não com a lamúria servil de um Escravo submisso à qual já te acostumaste, nem com a nova voz, as súplicas oleosas da lustrosa Burguesia Negra, nem com os gritos cruéis do grosseiro Escravo Livre – mas com minha própria voz, a voz do Homem Negro. E embora te saúde de outra maneira, minha saudação não é nova, mas tão velha quanto o Sol, a Lua e as Estrelas. E, ao invés de marcar um novo princípio, significa apenas a minha Volta.
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Eu regressei dos mortos. E te falo neste momento do Aqui e Agora. Eu estava morto há quatrocentos anos. Durante quatrocentos anos tu tens sido uma mulher solitária, despojada do teu homem, uma mulher sem homem. Durante quatrocentos anos não fui nem teu homem nem meu próprio homem. O homem branco ficou entre nós, sobre nós, à nossa volta. O homem branco foi o teu homem e o meu homem. Não te esqueças desta verdade, minha Rainha, pois mesmo que ela tenha incendiado a medula de nossos ossos e diluído nosso sangue, precisamos trazê-la à superfície da mente, ao domínio do conhecimento, fixando nosso olhar sobre ela como uma serpente enroscada nas barras do cercado de brincar de um bebê, ou como as flores frescas sobre o túmulo de uma mãe. Ela deve ser pesada e compreendida no coração, pois o salto da bota do homem branco é o nosso ponto de partida, nosso ponto de Decisão e Volta – o pivô salpicado de sangue do nosso futuro. (Mas eu te pediria para lembrar que, antes que pudéssemos sair da escravidão, tivemos de ser derrubados do nosso trono.)

Do outro lado do abismo estéril da masculinidade negada, de quatro centenas de anos sem minhas Bolas, vemo-nos hoje face a face, minha Rainha. Sinto uma profunda e horrível ferida, a dor da humilhação do guerreiro vencido. A vergonha do corredor exímio que tropeça na partida. Não tenho justificações. Não posso suportar olhar os teus olhos. Tu não sabes (e certamente deve ter percebido gora: quatrocentos anos!) que durante quatrocentos anos fui incapaz de olhar diretamente os teus olhos? Estremeço por dentro sempre que me olhas. Posso sentir... no brilho dos teus olhos, de um lugar escondido bem lá no fundo, um segredo que guardas há muito tempo. Esta é a simples verdade. Não que eu me sentisse justificado, em tais circunstâncias, em tomar tais liberdades contigo, mas quero que saibas que eu tinha medo de olhar nos teus olhos porque sabia que ali encontraria refletida a Denúncia impiedosa da minha impotência e o irresistível desafio de reaver minha masculinidade conquistada.
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Minha Rainha, é difícil para mim dizer-te o que hoje sinto no coração por ti – o que está no coração de todos os meus irmãos negros e de todas as tuas irmãs negras. E tenho medo de fracassar, a não ser que venhas a mim, sintonize-te em mim com a antena do teu amor, o amor sagrado em grau extremo que tu não me pudeste dar porque eu, estando morto, não mereceria recebê-lo; aquele amor de negro, perfeito e radical, com o qual nossos pais floresceram. Deixa-me beber da fonte do rio do teu amor, deixa as cordas da força do teu amor amarrarem minha alma e cicatrizar as feridas da minha Castração, deixa meu exílio convexo terminar sua Odisséia assombrada na tua essência côncava, que recebe aquilo que pode dar. Flor da África, somente através do poder libertador do teu novo amor é que a minha masculinidade poderá ser resgatada. Pois é nos teus olhos, diante de ti, que minha necessidade deve ser justificada. Só, só, só tu e somente tu podes condenar-me ou deixar-me em liberdade.

Convence-te, Irmã Negra, que o passado não é um panorama proibido, algo para o qual não ousamos olhar com medo de sermos, como a esposa de Loth, transformados em estátuas de sal. Pelo contrário, o passado é um espelho onisciente: contemplamo-lo e nele vemos refletidos nós próprios e todos os outros – o que fomos, o que somos hoje, como ficamos desta maneira e o que estamos nos tornando. Negar-se a olhar para o Espelho do Antes, meu coração, é recusar contemplar a face do Agora.
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Eu vivi a sétima vida do gato, encarei Satã e virei as costas a Deus, jantei no chiqueiro dos Porcos, e desci ao ponto mais profundo do Buraco, entrando no Covil e apanhando minhas Bolas de entre os dentes de um leão a rugir!
Beleza Negra, em silêncio impotente eu ouvi, como se fora uma sinfonia de lamentações, os teus gritos de socorro, os apelos angustiados e cheios de pavor que ainda ecoam em todo o Universo e por toda a mente, um milhão de gritos dispersos através dos anos de dor que se fundiram num único som de sofrimento para assombrar e sangrar a alma, um som incandescente para queimar o cérebro e ascender o estopim do pensamento, um som de presas e dentes para comer o coração, um som de fogo se alastrando, um som de gelo que queima, um som de chamas que devoram, um som ardente, um som de fogo para derreter o aço das minhas Bolas. Um som de Fogo Azul, um som Melancólico, um som de morte, um som da minha mulher em pranto, um som do sofrimento da minha mulher, O SOM DA MINHA MULHER CHAMANDO-ME, CHAMANDO-ME, EU OUVI O TEU GRITO DE SOCORRO, OUVO AQUELE SOM AFLITO MAS ABEIXEI A CABEÇA E NÃO DEI ATENÇÃO, OUVI O CHORO DA MINHA MULHER, OUVI O GRITO DA MINHA MULHER, OUVI MINHA MULHER IMPLORAR A PIEDADE DA BESTA POR MIM, OUVI-A IMPLORAR POR MIM, OUVI MINHA MULHER IMPLORAR A PIEDADE DA BESTA POR MIM, OUVI MINHA MULHER MORRER, OUVI O SOM DA TUA MORTE, UM SOM DE ESTALIDO, UM SOM QUEBRADO, UM SOM QUE SOAVA O FINAL, O ÚLTIMO SOM, O DERRADEIRO SOM, O SOM DA MORTE, EU, EU OUVI, EU O OUÇO TODOS OS DIAS, EU O OUÇO AGORA... EU TE OUÇO AGORA...

EU TE OUÇO AGORA... EU TE OUÇO... Eu te ouvi então... o grito veio como um raio fulminante deixando um risco nas minhas costas negras. Num estupor covarde, com o coração palpitando e os joelhos tremendo, vi o chicote da morte do Escravizador cortar zunindo o ar e morder com dentes de fogo a sua carne delicada, a carne negra e macia das Mães Africanas, forçando a Vida a sair prematuramente do seu útero dilacerado e ultrajado, o útero sagrado que originou o primeiro homem, o útero que incubou a Etiópia, populou a Núbia e deu à luz os Faraós do Egito, o útero que pintou de preto o Congo e originou o Zulu, o útero de Méris, o útero do Nilo, do Níger, o útero de Songhay, do Mali, de Gana, o útero que senti o poder de Chaka antes de ele ter visto o Sul, o útero Sagrado, o útero que conheceu a forma futura de Jomo Kenyatta, o útero dos Maus-Maus, o útero dos Negros, o útero que nutriu Toussaint L’Ouverture, que aqueceu Nat Turner, Gabriel Prosser e Denmark Vesey, o útero negro que se entregou em lágrimas àquela corrente anônima e interminável da Nata da África, a Nata Negra da Terra, aquela corrente anônima e interminável que com fortes gemidos caiu no esquecimento do grande abismo, o útero que recebeu, alimentou e sustentou firme a semente e devolveu Sojourner Truth, a Irmã Tubman, Rosa Pparks, Bird e Richard Wright, e suas outras obras de arte que usaram e usam nomes tais como Marcus Garvey, DuBois, Kwane Nkrumah, Paul Robeson, Malcolm X e Robert Williams, e aquele que tu suportaste com sofrimento e que se chamou Elijah Muhammad, mas, acima de tudo, todos aqueles anônimos que eles te arrancaram do útero numa inundação de sangue de assassinatos que se espalhou e se infiltrou na lama. E Patrice Lumumba, Emmet Till e Mack Parker.

Oh, Minha Alma! Tornei-me um covarde lamuriento, um desgraçado medroso, um bajulador vil, com o meu desejo de oposição petrificada diante do temor cósmico do Senhor dos Escravos. Ao invés de instigar os Escravos à rebelião com uma oratória eloqüente, suavizei suas feridas e cantei com eloqüência o Blues. Ao invés de atirar minha vida cheia de desprezo na cara do meu Algoz, derramei o nosso precioso sangue! Quando Nat Turner procurou libertar-me do meu temor, esse mesmo Temor entregou-o ao Carniceiro – um monumento martirizado à minha Emasculação. Meu espírito era sem vontade; e minha carne, fraca. Ah, eterna ignomínia!
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Eu, o Eunuco Negro, despojado de minhas Bolas, caminhei pela terra com a mente trancada num Frigorífico. Eu mataria um homem ou uma mulher negra mais rápido do que esmagaria uma mosca, enquanto colheria para o homem branco milhares de quilos de algodão por dia. Qual o lucro dos esforços cegos e exaltados dos (Culpados!) Eunucos Negros (Justiceiros!) que escondem suas feridas e menosprezam a verdade para mitigar sua culpabilidade através do pálido sofisma de postular uma Democracia Universal de Covardes, assinalando que na história ninguém pode esconder-se, que, se não numa época, então certamente em outra, o salto de ferro do Conquistador esmagou na lama as Bolas de Todos? Memórias do ontem não mitigarão as torrentes de sangue que vertem hoje dos meus culhões. Sim, a História lembra um texto escarlate, com seus rabiscos e pontinhos impressos em vermelho com sangue humano. Mais exércitos do que os mostrados nos livros fincaram bandeiras em solo estrangeiro deixando a Castração no seu rastro. Mas nenhum escravo deve morrer de morte natural. Existe um ponto onde a Cautela termina e a Covardia principia. Enfiem-me uma bala no cérebro com a arma do opressor numa noite de sítio. Por que há dança e cantoria nos Bairros Escravos? Um Escravo que morre por causas naturais não pode se comparar a duas moscas mortas na Escala da Eternidade.

Ao invés de ser pranteado, merece piedade.
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A mulher negra, sem perguntar como, diz apenas que sobrevivemos à nossa marcha e trabalhamos forçados através do Vale da Escravidão, do Sofrimento e da Morte – ali, naquele Vale escondido bem abaixo de nós por uma névoa que se esvai. Ah, que visões, sons e sofrimentos estão por trás daquela névoa! E pensávamos que a dura escalada daquele vale cruel levava a algum lugar agradável, verde, pacífico e ensolarado! Mas aqui tudo é selva, uma região selvagem e bravia que transborda em ruínas.
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Mas coloca tua coroa, Minha Rainha, e construiremos uma Nova Cidade sobre estas ruínas.
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. FIM

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Clarice e a liberdade

" Ela é tão livre que um dia será presa. 'Presa por quê?' 'Por excesso de liberdade'. 'Mas essa liberdade é inocente?' 'É'. 'Até mesmo ingênua.' 'Então por que a prisão?' 'Porque a liberdade ofende.'"

Um sopro de vida (Pulsações), Clarice Lispector

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Parada Gay - Rio de Janeiro

Para a Parada Gay domingo no RJ foram gastos R$100 mil, com promessa de aumento para o ano que vem para R$800 mil - valor revelado por Cláudio Nascimento, superintendente dos direitos humanos.


É obvio que o evento atrai turistas e eventos para a cidade, mas quem deveria financiar são os hotéis, restaurantes e o comércio das redondezas... Nada contra meus amigos do arco-íris, mas com tantos problemas nas áreas de educação, segurança e saúde, é justo usar o dinheiro do contribuinte assim?

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Intolerância religiosa

As aulas de Literatura Brasileira sobre o livro Lendas de Exu, de Adilson Martins, se transformaram em batalha religiosa, travada dentro de uma escola pública. A professora Maria Cristina Marques, 48 anos, conta que foi proibida de dar aulas após usar a obra, recomendada pelo Ministério da Educação (MEC). Ela entrou com notícia-crime no Ministério Público, por se sentir vítima de intolerância religiosa.

A polêmica arde na Escola Municipal Pedro Adami, em Macaé, a 192 km do Rio, onde Maria Cristina dá aulas de Literatura Brasileira e Redação. A Secretaria de Educação de lá abriu sindicância e, como não houve acordo entre as partes, encaminhou o caso à Procuradoria-Geral de Macaé, que tem até sexta-feira para emitir parecer. Em nota, a secretaria informou que "a professora envolvida está em seu ambiente de trabalho, lecionando junto aos alunos de sua instituição".

A professora confirmou ontem que voltou a lecionar. "Voltei, mas fui proibida até por mães de alunos, que são evangélicas, de dar aula sobre a África. Algumas disseram que estava usando a religião para fazer magia negra e comercializar os órgãos das crianças. Me acusaram de fazer apologia do diabo!", contou Maria Cristina "há sete anos trabalho na escola e nunca passei por tanta humilhação. Até um provérbio bíblico foi colocado na sala de professores, me acusando de mentirosa". A diretora Mery Lice da Silva Oliveira é evangélica da Igreja Batista.

Leia mais em O Dia Online - Rio.

Acho super importante para o desenvolvimento do homem ter uma religião, independente de qual seja, desde que não comece a virar fanatismo e fazer lavagem cerebral limitando a capacidade de aprender e poder criticar as coisas por si próprio.

Nada contra nenhuma religião, ok?! Só estou propondo uma reflexão: Cadê o respeito ao diferente?
Alé disso, o Estado é laico. E se não é, pelo menos deveria ser, né?!

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Dis dos professores!



Sou professora de Lingua Portuguesa, como muitos que acompanham o blog devem saber, né?!
Sei que hoje minha profissão sofre uma desvalorização sem tamanho - aliás, essa crise de valores não existe apenas no esfera escolar - mas mesmo assim sou professora com muito orgulho.

Faço o possível para exercer minha profissão com dignidade, tanto que apesar de militar pela causa e colocar a boca no trombone quando vejo algo errado no meu ambiente de trabalho, ainda consigo conquistar o respeito e o carinho dos meus alunos.

No final o que guardamos da nossa caminhada é o que vale a pena, mesmo que tenhamos horas difíceis - e em alguns momentos pensemos em largar tudo e fazer outra coisa - o que fica é o carinho dos amigos, o reconhecimento dos alunos e a sensação de que procuramos fazer o melhor a cada aula.

Sinceramente, a única coisa que espero é que nossa minha profissão seja mais valorizada e percebida, pois todas as profissões dependem de um professor.


Apesar dos descasos dos políticos com a educação, sou feliz e realizada na profissão.




"Ensinar é um exercício de imortalidade. De alguma forma, continuamos a viver naqueles cujos olhos aprenderam a ver o mundo pela magia da nossa palavra".
Rubem Alves

terça-feira, 13 de outubro de 2009

A Vantagem acadêmica de Cuba


Minha sugestão de livro deste mês é o título "A vantagem acadêmica de Cuba - Por que seus alunos vão melhor na escola", de Martin Carnoy, em parceria com a Fundação Lemann e publicado no Brasil pelo Grupo Ediouro.

Clique aqui para visitar o site do livro.

A primeira questão levantada é que mais de 50% dos alunos cubanos conseguem resolver problemas complexos de matemática, enquanto apenas 10% dos alunos brasileiros e 15% dos alunos chilenos atingem o nível mais avançado de proficiência matemática, de acordo com o Laboratório Latino-Americano de Avaliação da Qualidade da Educação (Llece), coordenado pela Unesco.

No Brasil, educação e política se misturam mais do que deveriam e a vasta maioria da população continua presa a uma educação que impede seus filhos de atingir todo seu potencial intelectual. Assim, uma educação de baixa qualidade praticamente garante que essas crianças também serão pobres. Será que isso é democrático?

Este livro compara a educação no Brasil (e no Chile) com a educação em outro país latino-americano - Cuba - e tenta entender como uma sociedade com renda per capita menor que a brasileira ou a chilena consegue promover uma educação de muito melhor qualidade para todos os jovens de sua população.

Uma das chaves para o sucesso cubano em educação é o recrutamento, para o magistério, dos melhores alunos do ensino médio e a excelente formação que lhes é dada, ao redor de um sólido currículo. Outra é a garantia de que os alunos são saudáveis e estão bem alimentados. E a terceira é o sistema de tutoria e supervisão dos professores, focada na melhoria da instrução. Mas o elemento crucial é o compromisso total com a melhoria dos padrões de ensino e fazer o que for necessário para que este padrão chegue até as salas de aula do menos vilarejo das regiões mais pobres.

Sabemos que o desempenho do aluno varia muito entre indivíduos, salas de aula, escolas e que as experiências das crianças com suas famílias, principalmente a interação com pais e irmãos, tem efeitos importantes no seu desempenho acadêmico, assim como suas experiências na escola com professores específicos. Só que além destes fatores, as condições sociais e educacionais em defesa destes países fazem diferença.

Um fator interessante observado na pesquisa é que, no Brasil, os ensinos funamental e médio são muito descentralizados, em níveis estadual e municipal. Apesar da reforma do Fundef, os dois sistemas públicos ainda são paralelos, competem por recursos, não são coordenados entre si e possuem administrações distintas. Essa grande variação no gasto por aluno distingue o Brasil dos outros dois países analisados.

No mundo de hoje, a preocupação com a educação deve ser constante e eu não afirmo isso apenas por ser professora. Antigamente, mesmo se a pessoa não concluísse o ensino médio teria a chance de conseguir um emprego que pagava um salário decente. Atualmente, a simples conclusão do ensino médio provavelmente deixa e pessoa próxima da extremidade inferior na hierarquia econômica.

Assim, este livro é sobre a educação em um país - Cuba - onde mesmo os alunos das escolas de ensino fundamental das zonas rurais parecem aprender mais que os alunos das famílias de classe média urbana do rstante da América Latina.

Super recomendo!