quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

O Deus de Barack Obama



Logo após o resultado das eleições americanas, fiz um post sobre a vitória do Obama aqui no blog e dias depois comecei a ler o livro de Stephen Mansfield “O Deus de Barack Obama – Porque não existe liderança sem fé”, da editora Thomas Nelson Brasil, do Grupo Ediouro.
Pelo título achei que o livro me ajudaria a entender através da vida religiosa do presidente eleito as mudanças na história política e religiosa dos Estados Unidos que ele veio para representar.

Como alguns leitores do blog já sabem, sou professora e no final do ano me afogo em diários e afins, por isso demorei um pouco para acabar a leitura.
Meu tempo é raro, viu?!
Ainda bem que entre tantas publicações sobre Barack Obama nas livrarias, escolhi ler justamente este livro, que além da vida política, também faz um enfoque na vida religiosa e pessoal dele.

Obama já escreveu que sua mãe o ensinou a ver a religião como um fenômeno que deve ser tratado com o respeito adequado, mas também com o distanciamento apropriado. A Nova Ordem Mundial clamava por alguém assim, racional e coerente com seu tempo. O político - seja cristão, macumbeiro ou ateu - precisa governar para todos.

Sei que sua popularidade hoje na mídia e junto ao povo é inegável, mas pude perceber com a leitura do livro que os feitos de Obama foram as peças fundamentais para a construção da lenda em que ele se transformou. Sua saga contém alguns clichês presentes em heróis da história da humanidade ou da literatura mundial, como a longa busca por um lugar, a falta de um pai, a esperança de um destino...

Eu que já estava apostando as minhas fichas nele (já disse aqui no blog que sua vitória representou para mim a força da democracia e o desejo por mudanças) agora que sei um pouco mais sobre a sua vida e caráter estou ainda mais empolgada com o futuro político dos EUA, pois pelo que pude perceber no livro, o filho de uma norte-americana branca com um africano negro aprendeu a respeitar o preceito cristão que prega ação social, e isso certamente moldou seu modo de fazer política. Pesquisas de opinião indicaram que a maior parte dos norte-americanos com idade entre 17 e 29 anos tinha a intenção de votar no democrata, não só por seu modo de fazer política, mas também pela sua espiritualidade não ortodoxa.

Achei curioso saber que o primeiro presidente negro dos EUA também foi o primeiro estudante africano da universidade do Havaí em 1961 e o primeiro afro-brasileiro eleito presidente da Harvard Law Review. (Pelo visto ele já está acostumado a quebrar pré-conceitos, né?!).
O que eu também não sabia é que ele já ganhou dois prêmios Grammy pela gravação de seus livros: A origem dos meus sonhos e a Audácia da esperança.

Em 2004, quando fez seu discurso na convenção do Partido Democrata, em que apresentou pela primeira vez sua proposta de uma nova política baseada na fé, as pessoas de Boston já o tratavam como um astro de rock, e pelo que li no livro, de certa forma ele já tinha alguma noção do seu destino. Foi com este discurso que ele ganhou projeção nacional. Daí fiquei pensando: além de ser jovem (47 anos), ele chegou onde está em pouquíssimo tempo, né?!

Algumas pessoas têm usado os termos “chamado”, “escolhido” e “abençoado” para descrever Obama. Para mim pode ser uma necessidade do povo de pintar o político como o messias, o salvador da pátria... Mas, como sou supersticiosa, gostei de saber que Obama preencheu os papéis da comissão Federal Eleitoral com a expectativa de se tornar o primeiro presidente negro do país, um dia depois da data em que Martim Luther King Jr. completaria 78 anos.

Bom, mesmo que esteja inserido numa rede de poder e não possa simplesmente romper com ela, após ler o livro acredito ainda mais que o novo presidente dos Estados Unidos da América pode sim modificar o mundo para melhor.

Para finalizar, leiam o discurso sobre religião feito por ele em junho de 2006 (ou vejam o vídeo no you tube):


"...Com o aumento crescente da diversidade americana, os perigos do sectarismo são maiores que nunca. O que quer que nós fôssemos antes, hoje não somos mais uma nação cristã, ou pelo menos não apenas cristã. Somos também uma nação judia, uma nação islâmica, uma nação budista, uma não hindu, e uma nação de descrentes. E mesmo que tivéssemos apenas cristãos, e expulsássemos todos os não-cristãos dos Estados Unidos da América, qual cristianismo ensinaríamos nas escolas??

Seria o de James Thompson ou o de Allan Sharper? Quais passagens da bíblia deveriam ser a nossa política? Deveríamos seguir o Levítico, que diz que a escravidão é aceitável? Que comer camarão é uma abominação? Ou vamos seguir Deuteronômio, que diz para apedrejar um filho, se ele se desviar da fé? Ou vamos nos apegar apenas ao sermão da montanha? Uma passagem que é tão radical, que é improvável que nosso departamento de defesa sobreviveria à sua aplicação (risos e aplausos da platéia).

Então antes de nos empolgarmos demais vamos ler as nossas bíblias. As pessoas não têm lido suas bíblias.

O que leva ao meu segundo argumento, que a democracia exige que os que são motivados pela religião transmitam suas preocupações com relação ao todo, ao invés de valores específicos. Ou seja, que o proponente esteja sujeito à argumentação razoável. Por exemplo, eu posso ser contra o aborto por motivos religiosos, mas se eu quiser aprovar uma lei proibindo a prática, eu não posso usar os ensinamentos da minha igreja ou evocar a vontade de Deus. Eu tenho que dizer por que deveria ser proibido para as pessoas de todas as crenças, inclusive para as pessoas que não têm crença nenhuma.

E isso vai ser difícil para as pessoas que acreditam na inerrância da bíblia, como muitos evangélicos, mas para uma decisão realista não temos outra escolha. A política depende da nossa habilidade de persuadir os outros a se acomodarem à nossa realidade comum. Ela envolve dar o braço a torcer às vezes.

E a um certo nível fundamental, religião não permite dar o braço a torcer. Está na ordem do impossível. Se Deus fala, espera-se que os seguidores sigam suas ordens, não importando as conseqüências. Então submeter a sua própria vida a esse estilo rígido pode ser sublime, mas fazer as nossas decisões políticas baseadas nesses compromissos, pode ser algo perigoso, e se vocês duvidam deixem-me dar um exemplo: Todos nós conhecemos a história de Abraão e Isaque.

Abraão é ordenado por Deus a sacrificar seu próprio filho. Sem exitar ele sobe até a montanha e amarra seu filho no altar. Ele ergue a faca e prepara para agir, como Deus ordenou. Bem, nós sabemos que as coisas acabaram bem, Deus mandou um anjo interceder no último segundo, e Abraão passa do teste de devoção de Deus. Mas é justo dizer se que qualquer um de nós, ao deixar essa igreja, víssemos Abraão no teto de um edifício, erguendo sua faca, nós, no mínimo, chamaríamos a polícia! E esperaríamos que o conselho tutelar tirasse Isaque de Abraão. Nós faríamos isso porque nós não escutamos o que Abraão escutou. Não vemos o que Abraão vê.

Então o melhor que podemos fazer é agir de acordo com aquilo que todos nós podemos ver, e todos nós podemos escutar: as leis comuns e a razão básica.

Então temos trabalho pela frente, mas tenho esperança de preencher a lacuna que existe e vencer o preconceito que aparecem nesse debate, e tenho esperança que milhões de crentes nos EUA querem que isso aconteça. Não importa o quão religiosos ou não-religiosos sejam, as pessoas estão cansadas de ver a religião como arma de ataque.

Elas não querem que a religião seja usada para diminuir e dividir as pessoas, porque no fundo não é como elas vêem a fé em suas próprias vidas."

20 comentários:

palavraacida disse...

Falando apenas da imagem e não do homem, nem da ideologia. Como um presidente eu ainda acho ele um ótimo vendedor... Vendeu a sua melhor imagem agora vamos ver se ele vai aguentar o abacaxi!

Mari disse...

Muito bem escrito, eu não sabia nada sobre a vida dele.

Borus disse...

o blog ta de parabéns, bem bonito...

---

http://maluco-news.blogspot.com/

Arroiz disse...

É bom, no ponto que o EUA chegou, eu espero que todo este discurso não seja em vão. Apesar de ser muito carismático,carisma não salva ninguém!

Guilherme Santos disse...

legal
nao sabia desse livro ainda

show

Paloma Piragibe - PP; doisP; doisps disse...

Gostei! : )

Quero ler também. Parabéns pelo blog, profissão! Esse ano fiz um documentário sobre "Saúde do Professor" para TV Escola MEC -
vai voltar na grade eles, em março, bem bacana.
Beijos e sucesso!

Janine disse...

me disseram que o livro é bom, tenho minhas dúvidas... Fizeram muito marleting em cima do hômi que parece que sei lá!

Talita do Vale disse...

Esse cara fala bonito, mas me assusta... =x

Dan Pessôa disse...

Torço muito por Barack Obama... só não sei se vai conseguir corresponder a todas expectatias que estão colocando sobre seus ombros... parabéns pelo blog!!

Aninha disse...

oii
pois eh, vamos torcer por ele... nao sabia q era professora, bela profissao! e obrigada pelos conselhos, vou procurar segui-los....
obrigada viu :D

Ercio Bamberg disse...

Legal, o livro parece bom.

= Camelo Bebo = disse...

Acho dificil fazer mais bsteira qu o Bush,mas estão santificando demais a imagem de uma pessoa que pode falhar como outra também.

Gostei do post..=)

"Um motivo para boas risadas"

http://camelobebo.blogspot.com
......................................................
......................................................

Fernanda disse...

Também estou ansiosa em saber da maneira que Obama irá comandar os EUA! Particularmente tenho um voto de confiança nele!
Adorei o texto, muito informativo!

♥Thályta Kutcher♥ disse...

Amei os slides,eles estão MARA!bjoksss

Yo Carmo disse...

Querida amiga avassaladora... Ana.
Nos resta esperar e pedir pra não chegar o dia de sentir saudades de Mr. Shoes Busch!
venha nos visitar tb
http://avassaladorasrio.blogspot.com
P.S:
Um favor especial...
Visite o site Guia da Barra da Tijuca. Publiquei esta semana um artigo "Climaterio e a escuta psicanalitica"
Dá uma forcinha! Preciso de muitos clicks e comentarios!!!
O endereço é esse ai..
http://www.barradatijuca.com.br/revista/index.php/climaterio-e-a-escuta-psicanalitica/

vidaplanob disse...

novidade alguma
quem leu O princepe do maquiavel escrito em 1517 já tah cansado de saber.
uma das recomendaçoes principais do livro, mas deve ser um bom livro, sim.
bjs

Barbara Bastos disse...

Ana Gabi....

Saudades!!!


Amei o Texto. Tá muito contundente. Suas observações como sempre muito certeiras.
Ahh, já ia esquecendo, coloquei um link pra teu blog na minha barra lateral, afinal mais gente tem que ler o que vc escreve. è muito BOm!!!

Mil beijos
Barbara

PequenAprendiz disse...

Que excelente dica de leitura a sua.
Eu o considero um grande vencedor e espero que faça muito pela nação norte americana.

Passando pra desejar um Feliz Natal pra ti! Tô saindo de férias! Tem agradecimento pra Srta no meu post.

Beijão!

Kaka disse...

Sempre com ótimos assuntos abordados. Parabéns.

Balinha disse...

Eu com certeza fui negra em outra vida porque fiquei tão feliz com a conquista dele, finalmente. E nos States, o que é melhor ainda. Senti que o mundo ficou um tiquinho mais justo.

O cara lá é piloto de F1 ao que parece, pelos comentários.