terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Eu gosto de ser mulher


Caraca, estou adorando a nova minissérie da Globo, viu? Trabalho primoroso: fotografia, caracterização, figurino, trilha sonora, o desenrolar da história... Tudo, tudo perfeito... Acredito sinceramente que não deveria mais passar novelas, pois dura muito tempo, fica monótono e cansativo. Com produções mais curtas a Globo tem se saido bem melhor e eu tenho prazer em acompanhar até o final, hehe! Fora que a história da Maysa está me fazendo refletir, sabe?

Bem, não é a primeira vez que me pego refletindo sobre a identidade, o papel e a posição na sociedade da mulher brasileira (minha monografia foi sobre a questão da subalternidade feminina, hehe!), mas o fato é que conhecia pouco a figura da Maysa, sabia as músicas porque curto mpb, mas desconhecia que sua história de vida era tão intensa e nunca poderia imaginar que por uma questão social, quase sufocou seu talento, coisa que ela não fez, né?! Resultado: a sociedade maltratou e a encaminhou para esse desfecho. Talvez se tivesse nascido nos dias de hoje nem teria morrido, pois teria apoio de todos para seguir uma carreira que poderia ter sido muito mais brilhante.

Mas enfim, mesmo com todas as agruras que passamos e preconceitos que existem ainda em 2009 eu simplesmente adooooooooooro ser mulher.
Sou bem mulherzinha sim e curto tudo o que é feminino e próprio da figura da mulher: vestidos, maquiagens, sentimentalismo, brincos, romance, salto alto...

Quando vejo mulheres transgressoras, intensas, fortes e decididas sinto mais orgulho ainda e bato palmas para quem não se importa com o julgamento alheio. Temos que ser donas das nossas vidas e nosso compromisso deve ser sempre com a felicidade, ainda que sejamos incompreendidas.

Maysa, Elis Regina, Joana d’Arc, Dolores Duran, Anita Garibaldi, Leila Diniz, Clarice Lispector, Chiquinha Gonzaga, Frida Khalo, Nísia Floresta e tantas outras, foram artistas e acima de tudo, MULHERES que tentaram ultrapassar barreiras que hoje já não existem mais. No tempo das minhas avós era relativamente comum as moças se casarem muito cedo, a mulher não tinha outra "carreira" pela frente senão a "do lar" e não existia essa coisa de "me dedicar 1o à carreira".

Durante séculos as mulheres não tiveram acesso à educação, não desenvolvendo hábito de leitura e escrita. Ser mãe, esposa e dona de casa era considerado o destino natural das mulheres. Maternidade, casamento e dedicação ao lar faziam parte da essência feminina. Assim, o sucesso de seus filhos e marido é o seu sucesso, pois a felicidade pessoal da mulher da época estava limitada ao seu lar.
É um viver para os outros – a casa e a família, e não para si mesma. E durante anos, as mulheres foram levadas a buscar sua identidade no que a sociedade julgava serem os principais atributos femininos: boa dona de casa, boa cozinheira, mãe e esposa. Seu valor como pessoa era medido através da forma como desempenhava os papéis traçados para ela e as que fugiam a esta norma unânime eram consideradas atípicas.

Fora a questão da castidade feminina, que era de uma importância inquestionável, marcada pelo fato de a população brasileira ser predominantemente seguidora da igreja católica, onde o culto à Virgem eliminava a possibilidade de anular o mito da virgindade.
Até bem pouco tempo era muito comum dizer que “atrás de todo grande homem há uma grande mulher”, como forma de elogio... mas hoje, se me falarem isso, viro a mão na lata. É machismo puro, minha gente! É obvio que uma grande mulher está ao lado, caminhando junto e olhando na mesma direção do seu amado!

Gosto quando leio textos e escuto canções de autoria feminina, pois durante séculos eram os homens que tentavam definir a identidade feminina através de seus discursos. Não tínhamos identidade, éramos uma imagem refletida no espelho dos homens. A possibilidade de expressão da mulher é sua melhor forma de ultrapassar a margem e, sem alterar a diferença, derrubar hierarquias. É importante refletirmos sobre a posição que a mulher ocupa na sociedade atual, lembrando também que a tirania do homem sobre a mulher, do pai sobre o filho, do rico sobre o pobre e do branco sobre o negro nem deveria mais existir em nossa sociedade, né?!



O Lado Quente do Ser

Eu gosto de ser mulher
Sonhar arder de amor
Desde que sou uma menina
De ser feliz ou sofrer
Com quem eu faça calor
Esse querer me ilumina
E eu não quero amor nada de menos
Dispense os jogos desses mais ou menos
Pra que pequenos vícios
Se o amor são fogos que se acendem
Sem artifícios
Eu já quis ser bailarina
São coisas que não esqueço
E continuo ainda a sê-la
Minha vida me alucina
É como um filme que faço
Mas faço melhor ainda
Do que as estrelas
Então eu digo amor, chegue mais perto
E prove ao certo qual é o meu sabor
Ouça meu peito agora
Venha compor uma trilha sonora para o amor
Eu gosto de ser mulher
Que mostra mais o que sente
O lado quente do ser
Que canta mais docemente
(Eu escuto na voz da Maria Bethânia, mas procurando a letra vi que é da Marina Lima)


Bom, pra finalizar, todos sabemos que a mulher contemporânea está experimentando um processo de profundas e agudas transformações em função de grandes conquistas do passado. Sei o quanto as mulheres de tempos remotos lutaram para que suas vozes tivessem força... Talvez seja por acreditar nisso que me exponho aqui, dando pitacos sobre a vida.

Boa noite a todos e até mais!

10 comentários:

Aninha disse...

oi querida! nao vi ainda a minisserie mas deve ser bem interessante! amiga obrigada pela força viu!!!
bjss

Zíngara disse...

Belo texto em homenagem a todas nós mulheres.

Tenho uma tia que se chama Maysa e sempre escutei suas músicas. Um vozeirão e uma vivacidade de dar orgulho em todas nós mulheres!

Beijos,
Zin

meus instantes e momentos disse...

ainda bem que és mulher.
Ainda bem.....
belo post.
maurizio

calango azedo disse...

ahh naum sou mulher porrA

Oitentando disse...

Realmente concordo com o que vc citou...as grandes personalidades citadas na época pagaram um certo preço por serem lideres e representantes cada qual na sua área...pois o machismo da época não permitiam tal fato.!!!Elas abriram varias portas para o que vemos hoje, e essa igualdade não é nada mais justo...do que um direito que as mulheres tem.
Não sou um cara machista pelo que percebe,as mulheres tem que ser independente mesmo!
E quanto ao seriado não assisti,quem sabe hoje acompanho o capítlo!Valeu bjs!

quando puder me visite:
http://oitentando.blogspot.com/

Horácio Leal ° disse...

Linnndo texto, singelo como uma mulher tem que ser, vc sintetizou toda feminilidade em palavras ousadas, assim como a própria Maysa ( inclusive estou assistindo).ótima e cinematográfica série ...adorei o Blog e vou a partr de agora acompanhar.

http://sensitivereaction.blogspot.com/

Lucia Cintra disse...

Oi, vim retribuir a visita!

Essa novela parece interessante, pena que nao tenho acesso a assistir. Agora deixa eu te contar algo: se voce acha que novela brasileira e' prolongada, senta ai pra escutar quanto tempo dura as americanas...

Sentou?

Eles tem umas 4 ou 5 somente (acho, pois nao assisto), e cada uma ja esta no ar por uns 20 e poucos anos. Disse "anos". Geeente! Socorro, ne? E tem gente que ainda continua assistindo, durante esse tempo todo!

bjos

Dan Pessôa disse...

Ótimo texto.
Também estou assistindo à minissérie... acho muito interessante as atitudes de Maysa. Ver como ela foi se deteriorando com o passar do tempo (ela ou a sociedade a deteriorou?)
É ótimo ver como as mulheres estão cada vez mais independente, apesar de ainda existir um preconceito velado. E, confesso, que eu, como homem, adoro ouvir vozes femininas. Aliás, os cantores que gosto mais são, na realidade, cantoras(olha como até a lingua portuguesa é machista!). Ana Carolina, Cassia eller, Adriana Calcanhoto. Minha escritora favorita é Agatha Christie. Enfim, as mulheres tem uma sensibilidade que há muito tempo o mundo precisava obter. Vocês vieram para andar lado a lado conosco, e vieram para nunca mais sair!

Mari disse...

Eu tb adoro ser mulher e faço o mesmo estilo mulherzinha, maquiagem, salto alto, sentimentalismo, TPM...rsrs.
Muitas barreiras foram derrubadas mas ainda falta a igualdade entre homem e mulher dentro de casa, percebo que em muitas família (e até na minha) é natural as mulheres fazerem a comida, lavar a louca, arrumar a casa, enquanto os homens ficam sentados no sofá assistindo TV, acho um abuso! Levantem e ajudem! Eu fico para explodir quando começa essa história por aqui.

DEUSA PAGÃ disse...

o pouco que vi eu gostei tb...
bjos.